Decorar o texto é a parte mais fácil

O olhar e a palavra podem ser vistos como um possível casamento, tendo em vista a possibilidade de várias interpretações para tais atos individuais e/ou em conjunto. Um olhar cabisbaixo, por exemplo, traz um milhão de informações possíveis dentro de uma mesma ideia, mas quando a palavra o completa, a voz entra em sintonia, a mente conectada aos dois ou quem sabe três sentidos, talvez com vibrações diferentes, mas que com certeza trazem alguma informação e liga em alguma conclusão, podendo até ser inconclusiva.

Também é certeza que essa conclusão ou simples impressão reverbere algo dentro de alguém, produza algum sintoma, podendo ser qualquer coisa, talvez alguma cor em mente, ou uma imagem, forma ou objeto, um momento, uma lembrança, um sentimento, um arrepio, ou simplesmente um vazio, entre tantas outras coisas.

Durante nossa temporada, experimentamos diversas sensações em trocas de olhares, em gestos, em palavras ditas em fusão com algum sentimento, em bombas de pensamentos, em momentos de conturbação, seja ela interna ou não. Nosso público compartilhou conosco, mesmo que indiretamente, alguma história de sua vida. Lembra do olhar? Ele também fala, as vezes grita, suplica, clama, agradece, entristece e adoece. Nós, do grupo, principalmente nessa ocasião, viemos com o nosso olhar, nosso corpo e nossa voz, para contar uma história, talvez nossa história, mas misturada com tantas outras que ali naquele espeço estão e já estiveram.

E dentre tantos “elementos”, coisas como garra, compromisso, estudo, esforço, tempo, disciplina e amor fazem com que nosso TRABALHO valha a pena e chegue ao público, com qualidade. Um espetáculo para ser bem feito é tratado com carinho e compromisso, pois arte é sim um trabalho, e trouxemos o nosso mais uma vez!

Inevitavelmente chegamos ao FIM DA NOSSA TEMPORADA, com uma apresentação diferente da outra, e públicos com energias diferentes em todos os dias. O elenco de 10 anos do grupo contou uma história, e irá se tornar história, e o grupo renasce e se transforma a todo momento , talvez como aquele patinho que se tornou um cisne.

Então, você pode desligar-se um momento de tudo a sua volta para nos ligarmos a nossa parte humana, ouvir e também trocar histórias, convido-te a refletir, a encarar o interno, como quando tomamos um café ou talvez um bom chá em uma tarde chuvosa.